Sunday, December 18, 2005

NOS JARDINS DO BEM E DO MAL


Espero que me sintas perto de ti, porque é essa a única arte e milagre de gostar de alguém... Alguém com quem beber e morrer, quando o instinto da noite se abrir e uma ave o atravessar trespassada por um grito marítimo e tudo for invadido pelas ondas, então o teu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes.
O teu corpo arderá para mim, sobre um lençol mordido por flores com água,..porque existe em cada um de nós uma morte silenciosa; uma morte que sobe pelos dedos, navega no teu sangue e desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
Á tona da tua face se moverão as águas e dentro da tua face estará a pedra da noite.
Beberei então a tua boca para depois cantar a exaltante alegria da vida….
Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e das estrelas,.. Porém, tu sempre me incendeias..!!! A tua boca penetra a minha voz como a espada se perde no arco, e invento para ti a música, a loucura e o mar….
Toco o peso da tua vida e vou para ti com a beleza oculta e o corpo iluminado pelas luzes longas...Os teus olhos transfiguram-se e as tuas mãos descobrem a sombra da minha pele, e para mim se erguem teus olhos de longe, porque é de ti que me vem o fogo….
Não há gesto ou verdade onde não dormisse a tua noite e loucura, porque em ti principiam o mar e o mundo.. porém, o teu silêncio de fogo e leite repõe a força maternal, e tudo circula entre o teu sopro e o teu amor e as coisas nascem de ti como as luas dos campos fecundos…
Os astros quebram-se em luz sobre as casas, e a minha face cheia do teu espanto é a água inicial de outros sentidos...
Espero o tempo junto ao teu peito de sal e silêncio, e a minha serenidade é uma ideia de pedra e de brancura.
Aceitas-me no teu sorriso e alimentas-te de desejos puros, enquanto o vento e o espírito se unem e a tua boca desfaz-se na lua, onde a beleza que transportas se quebra em glória junto a mim, e beijarei as tuas mãos. e à madrugada darei a minha voz confundida com a tua junto á perturbada intimidade em que me acolhes...A ternura com que te adivinho!!..
E o tempo onde a dor em sua medida ingénua e cara, pressente um coração de lume ao longe, entre a alma que me vai faltando e o ar que me dás quando me falas em tons de veludo e amoras doces, o que se perde de ti, minha voz renova num estilo de prata fina…….

CASULOS DE SILÊNCIO

Que a ignorância viceja por estas bandas não é de todo novidade…

Não sei bem como falar do fenómeno hi5, …encontrar rebanhos de pessoas raçadas de Paulo Coelho é algo violento, que exige de mim uma tolerância de escuteira que infelizmente não possuo. No entanto, para compensar esta falta, sou naif o suficiente para crer que se pode – feita a triagem nas urgências do bom senso – encontrar alguém que, por se ter tresmalhado pelo desfiladeiro da vida acima, alça os olhos para outras paragens que forçosamente se reflectirão no seu discurso. Pessoas capazes de cultivar uma pluralidade de interesses remetendo para as ditas, referências incontornáveis….
Não “conheci” ninguém, e algo me diz que seguirei incólume de conhecimento se persistir nesta via. Entretanto, a única possibilidade de se deixar conhecer - uma vez que não posso forçar ninguém a falar-me de si – é mostrar aquilo que considero essencial, fruto de convergência de interesses ou colisão dos mesmos.
Pego nos vários casulos de silêncio que inebriam e engendram as palavras e tento a dúplice violência da vossa atenção…
Como tudo por aqui é mais do que incerto, e enquanto navego por estas paragens como se fizesse uma travessia pelo mundo, estarei eu viva antes dos meus olhos te verem...????
Espero um dia chegar aos teus cílios..!!!